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AC/DC no fotovoltaico: inversores e conversão de corrente

Introdução: O que é que o AC/DC tem a ver com sistemas solares?

O que é que a lendária banda de rock AC/DC tem a ver com sistemas solares? O nome da banda pretendia simbolizar potência bruta e atuações cheias de energia – tal como a energia carregada da corrente alternada (AC) e a força “bruta” da corrente contínua (DC) que circulam numa instalação fotovoltaica.

Para lidar com estes fluxos de energia recorre‑se à eletrónica de potência. Neste artigo fica a saber como funcionam os inversores e porque é importante escolher entre sistemas monofásicos e trifásicos.

Corrente contínua encontra corrente alternada

O “problema” de base nos sistemas solares é simples: as células fotovoltaicas produzem corrente contínua (DC), mas praticamente todas as aplicações domésticas utilizam corrente alternada (AC) a 50 Hz. Além disso, os sistemas de baterias voltam a trabalhar em corrente contínua.

O que distingue os dois tipos de corrente?

Corrente contínua (DC):

Corrente alternada (AC):

Representação de corrente contínua e alternada com curva sinusoidal

O inversor: coração da conversão de energia

Princípio de funcionamento

O inversor converte a corrente contínua dos módulos solares em corrente alternada compatível com a rede. Isto é feito através de interruptores eletrónicos de potência (IGBTs ou MOSFETs) que ligam e desligam a corrente contínua a grande velocidade:

  1. Entrada DC: corrente contínua proveniente dos módulos
  2. “Picotagem”: os semicondutores de potência ligam e desligam o DC muito rapidamente, com durações de impulso variáveis
  3. Modulação PWM: através de modulação por largura de impulso (PWM) forma‑se, a partir destes “pedaços” de DC, uma curva aproximadamente sinusoidal
  4. Saída AC: corrente alternada a 50 Hz, sincronizada com a rede

Componentes da eletrónica de potência em sistemas solares Modulação por largura de impulso para gerar corrente alternada Geração de uma onda sinusoidal por PWM

Funções importantes do inversor

Em Portugal, estas funções têm de cumprir os requisitos técnicos definidos pela Direção‑Geral de Energia e Geologia (DGEG) e pelos operadores de rede (por exemplo, E‑REDES), alinhados com as normas europeias aplicáveis a inversores ligados à rede de baixa tensão.

MPPT: o centro de controlo

O Maximum Power Point Tracker (MPPT) está normalmente integrado no próprio inversor. A sua missão: extrair da instalação fotovoltaica, em cada instante, a potência máxima possível, independentemente da carga ou das condições meteorológicas.

Como funciona o MPPT?

A potência elétrica é o produto da tensão pela corrente: P = U × I

Cada módulo solar tem uma curva característica própria, que relaciona tensão e corrente. Esta curva varia com:

O MPPT “varre” continuamente esta curva de potência. Um algoritmo muito utilizado, o Perturb and Observe (perturbar e observar), funciona assim:

  1. A tensão é ligeiramente aumentada ou reduzida (perturbação)
  2. Mede‑se a alteração da potência resultante (observação)
  3. A potência aumentou? → continua‑se a variar na mesma direção
  4. A potência diminuiu? → inverte‑se a direção da variação

Desta forma, o MPPT acompanha permanentemente o ponto de potência máxima.

Maximum Power Point Tracking com base na curva de potência

Compreender o sistema trifásico

As redes europeias não utilizam apenas corrente alternada simples, mas sim sistema trifásico (corrente alternada trifásica). Trata‑se de três correntes alternadas sinusoidais com a mesma frequência, desfasadas entre si de 120°.

Porque se utiliza sistema trifásico?

A transmissão de potência é significativamente mais eficiente:

O “truque” está no equilíbrio das fases: em cada instante, as três fases compensam‑se mutuamente. Quando a corrente numa fase atinge o máximo, nas outras duas circulam correntes de sentido oposto com aproximadamente metade da intensidade. Assim, não é necessário um condutor de retorno separado para a mesma potência útil.

Corrente alternada trifásica com desfasamento de 120°

Níveis de tensão em Portugal

Os níveis de tensão na rede portuguesa são, em termos práticos, equivalentes aos de outros países europeus:

Nível Tensão típica Aplicação
Muito alta tensão 220–400 kV Redes de transporte
Alta tensão 60–150 kV Distribuição regional
Média tensão 6–30 kV Indústria, redes urbanas
Baixa tensão 400 V (trifásico) Edifícios e pequenos consumidores
Tomada doméstica 230 V (monofásico) Uma fase do sistema trifásico

Os inversores fotovoltaicos ligados à rede de baixa tensão têm de cumprir estes níveis e as regras técnicas de ligação definidas pela DGEG e pelos operadores de rede.

Inversor monofásico ou trifásico?

A escolha entre inversores monofásicos e trifásicos tem impacto direto no dimensionamento e no funcionamento da sua instalação.

Inversor monofásico

Num inversor monofásico, a corrente contínua é convertida apenas numa fase de corrente alternada. É típico em instalações pequenas a médias.

Vantagens:

Desvantagens:

Em Portugal, os operadores de rede podem limitar a potência máxima admissível por fase para evitar desequilíbrios significativos na rede de baixa tensão. Em instalações residenciais com potências mais elevadas, a solução trifásica é muitas vezes preferível.

Inversor trifásico

Um inversor trifásico converte a corrente contínua em três fases de corrente alternada simétricas. É o padrão em instalações de maior dimensão.

Vantagens:

Desvantagens:

Recomendação

Dimensão da instalação Recomendação
Até 3 kWp Monofásico geralmente suficiente
3–6 kWp Depende dos consumidores e da disponibilidade de potência por fase
A partir de 6 kWp Trifásico recomendado
Com bomba de calor / carregador VE Trifásico recomendado

Retificadores e percursos DC

Quando se utilizam baterias ou soluções com acoplamento em corrente contínua, os retificadores convertem novamente a corrente alternada em corrente contínua. Isto é necessário, por exemplo, quando:

Também aqui se atingem rendimentos elevados, tipicamente na ordem dos 96–98%. As perdas resultam sobretudo de:

Topologias modernas reduzem estas perdas através de frequências de comutação elevadas e filtros otimizados.

O “S” de software também é de solar

Para além do hardware, o software é essencial para o controlo de uma instalação fotovoltaica. O software funciona como interface entre módulos solares, baterias, contadores de energia e utilizador.

Tarefas do software da instalação

Nota sobre normas, regulamentação e incentivos em Portugal

Em Portugal, o enquadramento técnico e regulamentar para instalações fotovoltaicas e eficiência energética é diferente do alemão, mas baseia‑se em grande medida em normas europeias:

Ao planear uma instalação fotovoltaica em Portugal, é importante articular o dimensionamento técnico (incluindo a escolha entre inversor monofásico ou trifásico) com estes requisitos regulamentares e com os programas de apoio disponíveis, de forma a maximizar o retorno do investimento e garantir a conformidade legal.

Conclusão

Em resumo: A eletrónica de potência é o elo de ligação entre os módulos solares e a rede doméstica. O inversor, com MPPT integrado, assegura que a corrente contínua dos módulos é convertida da forma mais eficiente possível em corrente alternada compatível com a rede. A escolha entre sistemas monofásicos e trifásicos depende sobretudo da dimensão da instalação e do tipo de consumidores existentes na habitação.

A seguir: Baterias de armazenamento: o apoio em dias de pouco sol

Fontes