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Guia de utilização do simulador de bombas de calor ar‑ar

Introdução

1.1 O que é uma bomba de calor ar‑ar?

Uma bomba de calor ar‑ar (também conhecida como ar condicionado split) é um sistema de aquecimento e arrefecimento de elevada eficiência que capta calor do ar exterior e o transfere diretamente para o ar interior. Ao contrário das bombas de calor ar‑água, funciona sem circuito de água, o que permite uma instalação particularmente rápida e flexível.

Constituição de um sistema split:

1.2 Single‑split vs. multi‑split

SistemaDescriçãoAplicação
Single‑split1 unidade exterior + 1 unidade interiorDivisão única (sala, escritório)
Multi‑split1 unidade exterior + 2‑8 unidades interioresVárias divisões com regulação individual

Vantagens do single‑split:

Vantagens do multi‑split:

1.3 Diferença para bombas de calor ar‑água

CaracterísticaBomba ar‑arBomba ar‑água
Emissão de calorDiretamente para o ar interiorAtravés de água (radiadores, piso radiante)
AQSNão produz água quente sanitáriaSim, aquecimento de AQS
InstalaçãoRápida (1‑2 dias)Mais complexa (alteração do sistema de aquecimento)
Custos2.000‑8.000 EUR15.000‑30.000 EUR
ArrefecimentoDe sérieOpcional (custos adicionais)
Melhor aplicaçãoAquecimento complementar, divisões individuaisAquecimento total, edifícios novos

1.4 Casos de aplicação típicos

1. Complemento ao aquecimento existente (funcionamento bivalente)

2. Aquecimento total de uma divisão

3. Arrefecimento de verão

4. Otimização do autoconsumo fotovoltaico

1.5 Base normativa

Este simulador baseia‑se em:

Nota para Portugal:
Para o desempenho energético global dos edifícios aplica‑se o Sistema de Certificação Energética dos Edifícios (SCE), regulado pelo Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020 e pela Portaria n.º 138‑I/2021. O cálculo de coeficientes de transmissão térmica (valores‑U) segue a EN ISO 6946, transposta para o contexto nacional através do SCE e respetivos manuais técnicos da ADENE.


Fundamentos de cálculo

2.1 SCOP – eficiência sazonal em aquecimento

O SCOP (Seasonal Coefficient of Performance) é o indicador mais importante da eficiência em aquecimento. Indica quanta energia térmica é produzida, em média anual, por cada kWh de eletricidade consumida.

Fórmula:

SCOP = Energia térmica anual [kWh] / Consumo elétrico anual [kWh]

Exemplo: SCOP = 4,2 significa: por cada 1 kWh de eletricidade são produzidos 4,2 kWh de calor.

Valores SCOP típicos:

AvaliaçãoIntervalo SCOPClasse de eficiência energética
Muito bom> 5,0A+++
Bom4,0 - 5,0A++
Satisfatório3,5 - 4,0A+
Suficiente3,0 - 3,5A
Reduzido< 3,0B ou inferior

2.2 Dados climáticos e localização

O simulador utiliza duas fontes de dados para os cálculos:

1. Zonas climáticas EN 14825 (para cálculo do SCOP):

A EN 14825 define três zonas climáticas europeias com diferentes fatores de ponderação para o cálculo do SCOP:

Zona climáticaPaíses típicosHoras de aquecimentoTemp. de projeto
AverageAlemanha, Áustria, Suíça4.910 h-10°C
WarmerEspanha, Itália, sul de França, Portugal litoral3.590 h+2°C
ColderSuécia, Finlândia, Noruega6.446 h-22°C

2. Dados TMY do PVGIS (para perfis de carga e cálculos de detalhe):

Para análises detalhadas, o simulador carrega dados meteorológicos reais do PVGIS (Photovoltaic Geographical Information System) para a sua localização:

Combinação das duas fontes: A zona climática define os fatores de ponderação EN 14825 para o SCOP e as horas de aquecimento para o consumo anual de aquecimento. Os dados TMY permitem análises horárias detalhadas, como perfis de carga e repartição mensal.

O simulador determina automaticamente a zona climática e carrega os dados TMY com base na sua localização.

2.3 COP vs. SCOP

IndicadorSignificadoCondição de medição
COPEficiência instantâneaA uma dada temperatura exterior (p.ex. A7 = 7°C)
SCOPEficiência sazonalMédia ponderada ao longo da época de aquecimento

Designações COP:

Importante: O COP diminui com a temperatura exterior. A ‑15°C o COP pode ser apenas 2,0, enquanto a +10°C pode atingir 5,5. O SCOP incorpora estas variações ao longo de toda a época de aquecimento.

2.4 SEER – eficiência sazonal em arrefecimento

O SEER (Seasonal Energy Efficiency Ratio) é o equivalente do SCOP para o modo de arrefecimento.

Valores SEER típicos:

AvaliaçãoIntervalo SEERClasse de eficiência energética
Muito bom> 8,5A+++
Bom6,0 - 8,5A++
Satisfatório5,0 - 6,0A+

2.5 Funcionamento bivalente

No funcionamento bivalente trabalham em conjunto dois geradores de calor. A bomba de calor ar‑ar é combinada com um sistema de aquecimento existente.

Modos bivalentes:

ModoDescriçãoQuando é adequado?
MonovalenteApenas bomba de calor ar‑arEdifícios bem isolados, invernos suaves
Bivalente alternativoAbaixo do ponto de bivalência só funciona o aquecimento existenteVariante mais simples
Bivalente paraleloAmbos funcionam em simultâneo abaixo do ponto de bivalênciaNecessidades elevadas de calor
Bivalente parcialmente paraleloBomba de calor cobre a base, aquecimento existente cobre picosUtilização otimizada de ambos os sistemas

Ponto de bivalência: Temperatura exterior a partir da qual o aquecimento existente entra em funcionamento. Valores típicos:

2.6 Necessidade anual de aquecimento

O simulador estima a necessidade anual de aquecimento através de um método simplificado baseado na zona climática:

Qh = Carga de aquecimento [kW] × Horas_aquecimento_zona × 0,4

Parâmetros:

Exemplo para zona “Average”:

Carga de aquecimento = 5 kW
Horas de aquecimento = 4.910 h
Qh = 5 × 4.910 × 0,4 = 9.820 kWh/ano

Nota: Trata‑se de uma estimativa simplificada. Os valores mensais reais são calculados adicionalmente a partir dos dados de temperatura TMY e apresentados em detalhe no separador "Evolução anual".


Guia passo a passo

O simulador conduz‑lo através de um assistente em 6 etapas. Explicamos de seguida cada passo em detalhe.

3.1 Passo 1: Escolher o tipo de sistema

No primeiro passo escolhe entre single‑split e multi‑split.

Ajuda à decisão:

CritérioSingle‑splitMulti‑split
Nº de divisões a aquecer12‑8
Funcionamento independente por divisãoSimSim, mas dependente da unidade exterior
Nº de unidades exteriores1 por divisão1 para todas as divisões
Impacto na fachadaVárias unidades exterioresUma unidade exterior
FlexibilidadeElevadaMédia
CustosMais baixo por unidadeMais vantajoso a partir de 3 divisões

Dica: Se pretende climatizar apenas uma divisão principal (por exemplo, sala), o single‑split é normalmente a opção mais simples. Para várias divisões, o multi‑split torna‑se economicamente interessante a partir de 3 divisões.

3.2 Passo 2: Introduzir a localização

A localização determina os dados climáticos utilizados no cálculo.

Campos de entrada:

Valores determinados automaticamente:

Pode substituir manualmente a temperatura exterior de projeto se pretender utilizar outros valores.

Nota para Portugal:
As temperaturas exteriores de dimensionamento para projeto térmico são definidas no âmbito do SCE e dos respetivos manuais técnicos da ADENE. Para projetos sujeitos a licenciamento, recomenda‑se seguir os valores de referência constantes desses documentos e do Decreto‑Lei n.º 101‑D/2020.

3.3 Passo 3: Selecionar os equipamentos

Neste passo escolhe os equipamentos concretos a partir do catálogo.

Selecionar a unidade exterior

Opções de filtro:

Dados importantes do equipamento:

Selecionar as unidades interiores

Tipos de unidades interiores:

TipoDescriçãoLocal de instalação
MuralUnidade clássica montada na paredeSalas, quartos
Console (tipo radiador)Unidade ao nível do pavimentoSob janelas, marquises
CasseteEmbutida no teto falsoEscritórios, comércio
CondutaOculta em teto falsoInstalação invisível

Em multi‑split: Adicione sucessivamente as unidades interiores. Verifique a relação de capacidade:

Relação de capacidade = Soma das potências das unidades interiores / Potência da unidade exterior
RelaçãoAvaliação
0,8 - 1,0Ideal
1,0 - 1,3Aceitável (ligeira sobredimensão)
< 0,8Subdimensionado (aviso)
> 1,3Sobredimensionado (aviso)

Importante: Em sistemas multi‑split, unidades exteriores e interiores têm de ser compatíveis. O simulador verifica automaticamente a compatibilidade e apresenta avisos em caso de combinações não permitidas pelo fabricante.

3.4 Passo 4: Caracterizar divisões / carga de aquecimento

Aqui introduz as divisões a aquecer com a respetiva carga térmica.

Single‑split: uma divisão

Campos de entrada:

Estimativa da carga de aquecimento: Se não conhecer a carga de aquecimento, pode usar a função de estimativa:

O simulador utiliza por defeito 60 W/m² como valor médio.

Dica: Para uma carga de aquecimento mais rigorosa, utilize um cálculo segundo a metodologia do SCE (baseada na EN 12831) ou ferramentas de projeto térmico, e importe depois os resultados para o simulador.

Multi‑split: várias divisões

Em multi‑split, caracteriza várias divisões numa tabela:

CampoDescrição
NomeDesignação da divisão
PisoPiso do edifício
ÁreaÁrea útil em m²
Carga de aquecimentoCarga em kW
Unidade interiorUnidade atribuída
AtivoAquecida pela bomba ar‑ar?

Importação de projeto de carga térmica: Se já tiver realizado um cálculo de carga de aquecimento, pode importar as divisões:

  1. Clique em "Importar divisões"
  2. Introduza a chave do projeto
  3. Selecione as divisões a importar

Recomendações de dimensionamento

O simulador apresenta indicações de dimensionamento com código de cores:

CorGrau de coberturaSignificado
Verde≥ 90%Equipamento cobre totalmente a carga
Amarelo70‑90%Recomenda‑se funcionamento bivalente
Vermelho< 70%Equipamento subdimensionado

3.5 Passo 5: Bivalência & rentabilidade

Este passo configura o modo de funcionamento e os parâmetros económicos.

Escolher o modo bivalente

1. Monovalente (apenas bomba ar‑ar)

2. Bivalente alternativo

3. Bivalente paralelo

4. Bivalente parcialmente paralelo

5. Apenas arrefecimento/meias‑estações

Configurar o aquecimento existente

Nos modos bivalentes 2‑5 define o seu sistema de aquecimento atual:

CampoDescriçãoExemplo
TipoTipo de aquecimentoCaldeira mural a gás
Potência nominalPotência em kW15 kW
RendimentoRendimento sazonal0,94 (94%)
Preço do combustívelCusto por kWh útil0,10 EUR/kWh
Fator de CO2Emissões por kWh0,20 kg/kWh

Valores típicos por tipo de aquecimento:

Tipo de aquecimentoRendimentoPreço combustívelFator de CO2
Gás condensação0,940,10 EUR/kWh0,20 kg/kWh
Gás convencional0,850,10 EUR/kWh0,20 kg/kWh
Gasóleo condensação0,920,12 EUR/kWh0,27 kg/kWh
Pellets0,900,06 EUR/kWh0,02 kg/kWh
Elétrico direto1,000,32 EUR/kWh0,38 kg/kWh

Definir o ponto de bivalência

O ponto de bivalência é a temperatura exterior a partir da qual o aquecimento existente entra em funcionamento.

Regras práticas:

Ativar arrefecimento (opcional)

Se pretender utilizar a função de arrefecimento:

Regulação de temperatura:

Limite de arranque do arrefecimento: Temperatura exterior a partir da qual o arrefecimento é ativado (p.ex. 24°C)

Parâmetros económicos

ParâmetroDescriçãoValor padrão
Preço da eletricidadeCusto por kWh0,32 EUR
Aumento anual da eletricidadeCrescimento anual3%
Horizonte de análisePeríodo de avaliação económica20 anos
Taxa de atualizaçãoPara cálculo do valor atual líquido3%
Custos de instalaçãoMontagem, materiaisAutomático ou manual
Custos de manutençãoManutenção anual100‑200 EUR

Nota para Portugal:
Os valores de preços de energia podem ser ajustados de acordo com as tarifas em vigor no mercado regulado ou livre. Para análises mais realistas, considere também eventuais tarifas bi‑horárias e o impacto do autoconsumo fotovoltaico.

3.6 Passo 6: Iniciar o cálculo

Após concluir todas as entradas, clique em "Calcular". O simulador executa os seguintes cálculos:

  1. Cálculo do SCOP segundo EN 14825
  2. Necessidade anual de aquecimento
  3. Consumo elétrico e custos de exploração
  4. Repartição bivalente (se aplicável)
  5. Análise de rentabilidade
  6. Balanço de CO2

Os resultados são apresentados em 7 separadores (tabs).


Compreender os resultados

4.1 Tab 1: Visão geral

A visão geral apresenta os principais indicadores num relance.

Indicadores principais:

IndicadorSignificadoBom valor
SCOPEficiência sazonal em aquecimento> 4,0
Carga total de aquecimentoNecessidade de potência térmica-
Grau de coberturaPercentagem da carga coberta pela bomba ar‑ar> 90%
Consumo elétricoConsumo anual-

Resumo bivalente (em funcionamento bivalente):

Comparação monovalente (sem bivalência):

4.2 Tab 2: Comparação (apenas em bivalência)

Comparação detalhada dos dois sistemas de aquecimento:

CategoriaBomba ar‑arAquecimento existente
Quota de calorp.ex. 85%p.ex. 15%
Horas de funcionamentop.ex. 2.500 hp.ex. 500 h
Consumo de energiakWh elétricoskWh de combustível
Custos de energiaEUR/anoEUR/ano
Emissões de CO2kg/anokg/ano

Questões chave:

4.3 Tab 3: Evolução anual

Repartição mensal dos resultados.

Dados mensais:

Gráficos:

Interpretação: Nas meias‑estações (março‑abril, outubro‑novembro) a bomba ar‑ar funciona com COP elevados e grande eficiência. No inverno o COP diminui, mas o aquecimento existente pode complementar.

4.4 Tab 4: Eficiência

Análise detalhada da eficiência.

Valores JAZ (fator de desempenho sazonal):

Classificação de eficiência: De acordo com a etiqueta energética da UE (A+++ a G)

Curva COP: Gráfico do COP em função da temperatura exterior:

JAZ mensal: Tabela com valores COP para cada mês, incluindo mínimo/máximo.

4.5 Tab 5: Rentabilidade

Análise financeira do investimento.

Custos de investimento:

PosiçãoMontante
Unidade exteriorEUR
Unidade(s) interior(es)EUR
InstalaçãoEUR
Investimento totalEUR

Custos de exploração:

Indicadores:

IndicadorSignificado
Tempo de retorno simplesAnos até à recuperação do investimento
Valor atual líquido (VAN/NPV)Valor presente das poupanças
AnuidadeCusto anual equivalente
Custo de CO2 evitadoEUR por tonelada de CO2

Tabela de cash‑flow: Ano a ano com:

4.6 Tab 6: Ambiente

Balanço de CO2 e impacto ambiental.

Emissões de CO2:

Cenários de mistura elétrica: Comparação de diferentes origens de eletricidade:

  1. Mix atual: Média nacional (Portugal ~ 150‑250 g/kWh, dependendo do ano)
  2. Eletricidade 100% renovável: p.ex. contrato verde (≈ 50 g/kWh)
  3. Mix fóssil: Cenário de referência (valores elevados de CO2)

Energia primária:

Equivalentes ilustrativos:

4.7 Tab 7: Divisões (apenas multi‑split)

Visão geral de resultados por divisão.

Tabela por divisão:

CampoDescrição
Nome da divisãoDesignação
Carga de aquecimentoNecessidade em kW
Unidade interiorEquipamento associado
Potência do equipamentoPotência da unidade interior
CoberturaCobertura percentual
Necessidade anual de calorkWh/ano
Consumo elétricokWh/ano
EstadoOK / Aviso / Erro

Estados:


Rentabilidade e balanço ambiental

5.1 Compreender o tempo de retorno

O tempo de retorno simples indica em quantos anos o investimento se paga através das poupanças obtidas.

Cálculo:

Tempo de retorno = Investimento / Poupança anual

Exemplo:

Atenção: O tempo de retorno simples não considera juros nem evolução de preços. O valor atual líquido (VAN) no separador "Rentabilidade" fornece uma análise mais rigorosa.

5.2 Fatores de rentabilidade

Fatores positivos:

Fatores negativos:

5.3 Potencial de redução de CO2

O balanço de CO2 depende da mistura de eletricidade:

CenárioCO2 por kWh elétricoAvaliação
Eletricidade 100% renovável0‑50 g/kWhMuito bom
Mix médio PT~150‑250 g/kWhBom
Mix fóssil500‑900 g/kWhCrítico

Comparação com gás:

Com eletricidade renovável:


Dicas e boas práticas

6.1 Dimensionamento

Evitar sobredimensionar:

Regra prática para potência de aquecimento:

Para uma sala de 30 m², isolamento médio: 30 m² × 60 W/m² = 1.800 W = 1,8 kW de carga de aquecimento

6.2 Utilizar a bivalência de forma ótima

Escolha do ponto de bivalência:

Prioridade FV: Se tiver uma instalação fotovoltaica, ative a prioridade FV. A bomba ar‑ar utilizará preferencialmente energia solar.

6.3 Ruído

Posicionamento da unidade exterior:

Opção de funcionamento diurno: Em locais sensíveis, pode limitar o funcionamento noturno (p.ex. apenas 6‑22 h).

Níveis sonoros típicos:

EquipamentoPotência sonoraNível sonoro a 3 m
Unidade exterior55‑65 dB(A)35‑45 dB(A)
Unidade interior20‑35 dB(A)Junto ao equipamento

Nota para Portugal:
Devem ser respeitados os limites de ruído constantes do Regulamento Geral do Ruído (Decreto‑Lei n.º 9/2007), em especial em período noturno e em fachadas de edifícios vizinhos.

6.4 Manutenção

Manutenção anual recomendada:

Custos: cerca de 100‑150 EUR/ano para manutenção profissional

6.5 Integração com fotovoltaico

Combinação ideal:

Exportação de perfil de carga: O simulador pode exportar um perfil de carga horário. Este pode ser utilizado num simulador fotovoltaico (p.ex. Solarrechner) para dimensionar a instalação.


Perguntas frequentes (FAQ)

Uma unidade split pode aquecer toda a minha casa?

Sim, em determinadas condições:

Limitações:

Qual a diferença entre SCOP e COP?

COPSCOP
SignificadoEficiência instantâneaEficiência sazonal
MediçãoA uma temperaturaMédia ponderada
RelevânciaValor de laboratórioMais próximo da prática
Valor típico2,5 - 6,03,5 - 5,0

O SCOP é mais representativo, pois considera as diferentes temperaturas exteriores ao longo da época de aquecimento.

Como escolher o ponto de bivalência correto?

Regras práticas:

  1. Mudar a COP = 2,5: Abaixo de COP 2,5 o aquecimento existente pode ser mais económico
  2. Comparação económica: Com eletricidade a 0,32 EUR/kWh e gás a 0,10 EUR/kWh → gás é mais barato abaixo de COP 3,2
  3. Conforto e segurança: Em situações de geada, caldeiras a gás/gasóleo são muitas vezes mais robustas

Fórmula para o ponto de bivalência económico:

COP_limite = Preço eletricidade / Preço gás
COP_limite = 0,32 / 0,10 = 3,2

À temperatura exterior em que o COP = 3,2 deve ocorrer a comutação (tipicamente cerca de +2°C).

Multi‑split é melhor do que vários single‑split?

CritérioMulti‑splitVários single‑split
CustosMais vantajoso a partir de 3 divisõesMais barato em 1‑2 divisões
FlexibilidadeTodas dependem de uma unidade exteriorFuncionamento totalmente independente
RedundânciaAvaria afeta todas as divisõesApenas o sistema avariado
FachadaUma unidade exteriorVárias unidades exteriores
InstalaçãoMais complexaMais simples

Recomendação:

Quão ruidosa é uma unidade split?

Valores típicos:

Estado de funcionamentoUnidade interiorUnidade exterior
Modo noturno19‑22 dB(A)40‑45 dB(A)
Funcionamento normal25‑35 dB(A)45‑55 dB(A)
Carga máxima35‑45 dB(A)55‑65 dB(A)

Para comparação:

Posso substituir completamente a minha caldeira a gás?

Substituição total é possível se:

Funcionamento bivalente é muitas vezes mais sensato se:


Informações de fundo

8.1 Funcionamento de uma bomba de calor ar‑ar

Princípio de aquecimento (simplificado):

  1. A unidade exterior extrai calor do ar exterior (mesmo com temperaturas negativas)
  2. O refrigerante evapora e absorve calor
  3. O compressor comprime o gás (a temperatura aumenta)
  4. A unidade interior transfere o calor para o ar da divisão
  5. O refrigerante condensa e o ciclo recomeça

Princípio de arrefecimento: O processo inverte‑se: a unidade interior retira calor ao ar interior e a unidade exterior dissipa‑o para o exterior.

8.2 Valores COP típicos em diferentes temperaturas

Temperatura exteriorCOP aquecimentoObservação
+15°C5,5 - 6,5Meias‑estações, muito eficiente
+7°C4,5 - 5,5Condição nominal
+2°C3,5 - 4,5Inverno típico em muitas zonas de PT
-7°C2,5 - 3,5Inverno frio
-15°C1,8 - 2,5Muito frio, eficiência reduzida
-20°C1,5 - 2,0Limite de muitos equipamentos

8.3 Tipos de unidades interiores em detalhe

Unidade mural (a mais comum):

Unidade tipo console:

Unidade cassete:

Unidade de conduta:

8.4 Refrigerantes e ambiente

Refrigerantes atuais:

RefrigeranteGWPSituação
R410A2.088Em fase de eliminação (Regulamento F‑Gases)
R32675Padrão atual
R290 (propano)3Solução de futuro, mas inflamável

GWP (Global Warming Potential): O GWP indica o contributo de um gás para o efeito de estufa (CO2 = 1).

Nota: Equipamentos modernos utilizam maioritariamente R32, com GWP mais baixo. Em novas instalações, privilegie R32 ou R290, cumprindo a legislação europeia de gases fluorados (Regulamento (UE) 517/2014) e as regras de segurança aplicáveis.

8.5 Normas, regulamentos e enquadramento em Portugal

Incentivos em Portugal (informação de enquadramento):
Programas como o “Edifícios Mais Sustentáveis” (Fundo Ambiental) têm apoiado:

  • Instalação de bombas de calor (incluindo ar‑ar de elevada eficiência)
  • Reforço de isolamento térmico e substituição de janelas
  • Instalação de sistemas solares térmicos e fotovoltaicos

As condições (valores de apoio, elegibilidade, prazos) variam por aviso. Consulte sempre o Fundo Ambiental e a ADENE para informação atualizada sobre incentivos e requisitos técnicos mínimos (classes energéticas, SCOP/SEER, etc.).


9. Ligações úteis


Última atualização: janeiro de 2026