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Estrutura de uma instalação fotovoltaica: do módulo à injeção na rede

Introdução: Do módulo solar à instalação fotovoltaica

O termo genérico “instalação solar” abrange tanto instalações fotovoltaicas como sistemas solares térmicos. As instalações fotovoltaicas – ou simplesmente PV – convertem a radiação solar em energia elétrica, enquanto os sistemas solares térmicos produzem energia térmica. Neste artigo focamo‑nos nas instalações fotovoltaicas.

Depois de, no artigo anterior, Do fotão ao volt: como funciona uma célula solar?, termos visto o funcionamento de uma célula solar individual, olhamos agora para o conjunto: como é que, a partir de células individuais, se obtém uma instalação solar completa?

Da célula à central solar

A hierarquia de uma instalação fotovoltaica é claramente estruturada:

Mesmo um único módulo solar ou um único string pode ser considerado uma instalação fotovoltaica completa – por exemplo, num sistema de varanda.

Hierarquia de células solares, módulos, strings e instalações

Contudo, a disposição de células e módulos solares é apenas uma parte do quadro. Para que a instalação funcione, são ainda necessários:

Montagem e estruturas de suporte

Os módulos solares podem ser montados em muitos locais:

Aplicações residenciais

Aplicações comerciais e industriais

Tipos de estrutura / inclinação

Estrutura fixa:

Estrutura móvel com seguidor solar (tracker):

Em qualquer tipo de montagem, a robustez, a resistência ao vento e, no caso de edifícios, a verificação da capacidade estrutural da cobertura são determinantes na escolha do sistema de fixação. Em Portugal, estas verificações seguem o Regulamento de Estruturas de Edifícios e Pontes e as normas europeias aplicáveis (por exemplo, Eurocódigos).

Percurso da energia: do módulo à tomada

O percurso da energia elétrica produzida pela instalação solar pode dividir‑se em cinco etapas principais:

1. Produção em corrente contínua (DC)

Os módulos solares convertem a luz solar em corrente contínua (DC). A tensão gerada depende do número de células ligadas em série dentro do módulo e do número de módulos em série no string.

2. MPPT e otimização em DC

O “Maximum Power Point Tracker” (MPPT) ajusta continuamente a tensão de funcionamento para extrair a potência máxima dos módulos. Em condições de nebulosidade variável ou sombreamento parcial, esta função é particularmente importante para limitar perdas de produção.

3. Conversão para corrente alternada (AC)

O inversor converte a corrente contínua em corrente alternada compatível com a rede:

Em Portugal, os inversores devem cumprir as normas europeias aplicáveis (por exemplo, EN 50549 para ligação à rede de baixa tensão) e as regras técnicas da E‑REDES ou do operador de rede local para injeção de energia.

4. Consumo local ou injeção na rede

A corrente alternada é utilizada:

5. Medição e faturação

Os contadores de energia registam a energia consumida e a energia injetada na rede, servindo de base à faturação e à gestão energética. Em Portugal, os sistemas de autoconsumo são regulados pelo Decreto‑Lei n.º 162/2019 (regime jurídico do autoconsumo de energia renovável), que define também as regras de medição e remuneração da energia excedentária.

Percurso da energia desde o módulo solar, passando pelo inversor, até à rede interna da casa

Integração de baterias: acoplamento AC vs. DC

As instalações solares com bateria integrada dispõem de um “amortecedor” de energia. Com uma eletrónica de carga inteligente, a energia pode ser armazenada de forma ajustada às necessidades: dias nublados são compensados com energia previamente armazenada e dias muito soalheiros são aproveitados para carregar a bateria.

Sistemas com acoplamento em AC

Vantagens: grande flexibilidade na instalação, independência em relação ao inversor fotovoltaico, solução simples para modernizar instalações existentes.

Sistemas com acoplamento em DC

Vantagens: menos perdas de conversão, melhor eficiência no aumento da taxa de autoconsumo.

Comparação entre instalações solares com acoplamento em AC e em DC Instalações solares com acoplamento em AC e DC em comparação

Medição de energia e tipos de contador

Para que a instalação solar, a bateria e a rede pública funcionem de forma coordenada, é necessária uma gestão integrada da instalação. A base dessa gestão são os dados de medição fornecidos pelos contadores de energia.

Contadores unidirecionais

Medem o fluxo de energia apenas num sentido:

Contadores bidirecionais

Medem, no mesmo equipamento, a energia consumida da rede e a energia injetada na rede. Combinam as funções de contador de consumo e de injeção, sendo hoje a solução mais comum em unidades de autoconsumo em Portugal.

Smart meters

A variante mais avançada:

Em Portugal, a substituição progressiva dos contadores tradicionais por contadores inteligentes está em curso, permitindo uma integração mais eficiente das instalações fotovoltaicas e de outros recursos energéticos distribuídos.

Perfis de carga e grau de autonomia

Os perfis diários de consumo num agregado familiar variam significativamente:

Para alcançar um grau de autonomia elevado (percentagem do consumo coberto pela própria produção), três fatores têm de estar equilibrados:

  1. Produção (kWp): potência de pico da instalação, ou seja, quanto pode produzir em condições ideais.
  2. Capacidade de armazenamento (kWh): quanta energia pode ser armazenada na bateria.
  3. Consumo (kWh/ano): necessidades anuais de eletricidade do agregado ou do edifício.

Perfil diário de produção e consumo de eletricidade num agregado familiar

Enquadramento regulamentar e incentivos em Portugal

Embora a estrutura técnica de uma instalação fotovoltaica seja semelhante em toda a Europa, o enquadramento legal, as normas técnicas e os apoios financeiros são específicos de cada país. Em Portugal, destacam‑se os seguintes pontos:

Normas e regras técnicas relevantes

Regime de autoconsumo e injeção na rede

Incentivos e apoios financeiros

Os programas de apoio são atualizados com alguma frequência, mas, de forma geral, incluem:

Ao planear uma instalação fotovoltaica em Portugal, é recomendável verificar:

Conclusão: Como a energia chega à tomada

Em resumo: Uma instalação fotovoltaica parece simples à primeira vista, mas os muitos detalhes técnicos revelam a sua complexidade. A célula solar produz corrente contínua, o MPPT otimiza a tensão para obter a potência máxima e, consoante o conceito da instalação, a energia flui para a bateria e/ou para o inversor. Os contadores de energia registam todos os fluxos para controlo e faturação, antes de a corrente alternada chegar às tomadas da casa ou ser injetada na rede pública, de acordo com o regime de autoconsumo em vigor em Portugal.

A seguir: AC/DC na fotovoltaica: inversores e conversão de energia

Fontes